Ceramista Mônica Falcon
Cerâmica de Alta TemperaturaArquivo para Cerâmica
História da cerâmica
A cerâmica é o material artificial mais antigo produzido pelo homem, existindo a cerca de dez a quinze mil anos. Do grego “kéramos”, “terra queimada” ou “argila queimada” é um material de imensa resistência, sendo freqüentemente encontrado em escavações arqueológicas.
Quando saiu das cavernas e se tornou um agricultor, o homem necessitava não apenas de um abrigo, mas de vasilhas para armazenar a água, os alimentos colhidos e as sementes para a próxima safra. Tais vasilhas tinham que ser resistentes ao uso, impermeáveis a umidade e de fácil fabricação. Essas facilidades foram encontradas na argila, deixando pistas sobre civilizações e culturas que existiram milhares de anos antes da Era Cristã.
A cerâmica é uma atividade de produção de artefatos a partir da argila, que se torna muito plástica e fácil de moldar quando umedecida. Depois de submetida a uma secagem para retirar a maior parte da água, a peça moldada é submetida a altas temperaturas ao redor de 1.000oC, que lhe atribuem rigidez e resistência, mediante a fusão de certos componentes da massa, e em alguns casos fixando os esmaltes na superfície.
Essas propriedades permitiram que a cerâmica fosse utilizada na construção de casas, vasilhames para uso doméstico e armazenamento de alimentos, vinhos, óleos, perfumes, na construção de urnas funerárias e até como “papel” para escrita.
A cerâmica pode ser uma atividade artística, em que são produzidos artefatos com valor estético, ou uma atividade industrial em que são produzidos artefatos para uso na construção civil e engenharia.
A cerâmica é muito antiga, sendo que peças de argila cozida foram encontradas em diversos sítios arqueológicos. No Japão as peças de cerâmica mais antigas conhecidas por arqueólogos foram encontradas na área ocupada pela cultura Jomon, há cerca de 8.000 anos, talvez mais.
Antes do final do período Neolítico ou da PEDRA POLIDA, que compreendeu, aproximadamente, de 26.000 a.C. até por volta de 5.000 a.C. a habilidade na manufatura de peças de cerâmica deixou o Japão e, se espalhou pela Europa e Ásia, não existindo, entretanto, um consenso sobre como isto ocorreu.
Na China e no Egito, por exemplo, a cerâmica já tem mais de 5.000 anos. Nas tumbas dos faraós do Antigo Egito, vários vasos de cerâmica continham vinho, óleos e perfumes para fins religiosos.
Um dos grandes exemplos da antiga arte cerâmica chinesa está expressa pelos guerreiros de Xian. Trata-se de uma das maiores descobertas arqueológicas, que ocorreu naquela província chinesa em 1974. Lá foi encontrado o túmulo do imperador Chi-Huand-di, que nasceu por volta do ano 240 antes de Cristo. Para decorá-lo, foi feita a réplica, em terracota, de um exército de soldados em tamanho natural. Terracota é o termo empregado para a argila modelada e cozida em forno.
A maioria das culturas, desde seus primórdios, acabou por desenvolver estilos próprios que com o passar do tempo consolidavam tendências e evoluíam no aprimoramento artístico, a ponto de poder situar o estado cultural de uma civilização através do estudo dos artefatos cerâmicos que produziam.
Estudiosos confirmam ser, realmente, a cerâmica a mais antiga das indústrias. Ela nasceu no momento em que o homem começou a utilizar-se do barro endurecido pelo fogo. Desse processo de endurecimento, obtido casualmente, multiplicou-se e evoluiu até os dias de hoje.
A cerâmica passou a substituir a pedra trabalhada, a madeira e mesmo as vasilhas (utensílios domésticos) feitas de frutos como o choco ou a casca de certas cucurbitáceas (porungas, cabaças e catutos). As primeiras cerâmicas que se tem notícia são da Pré-História: vasos de barro, sem asa, que tinham cor de argila natural ou eram escurecidas por óxidos de ferro.
Argilas
o barro
toma a forma
que você quiser
você nem sabe
estar fazendo apenas
o que o barro quer
(Paulo Leminski)
Segundo Bernard Leach, em seu Manual do Ceramista: “Determinadas terras e rochas pulverizadas formam, quando combinadas com água uma massa suficientemente homogênea com a qual poderemos modelar formas chamadas de “biscoitos” ou “peças verdes”, que endurecerão pela ação do fogo, se transformando no produto chamado cerâmica”.
E ele diz em seguida: “A argila é o resultado da decomposição dos feldspatos” o que concorda com outras definições, o que acontece é a decomposição de rochas graníticas em combinação com outras impurezas, e cujas partículas deverão ser muito finas, o que lhe conferirá a característica de plasticidade necessária para a modelagem de formas quando se junta a água necessária. A fórmula química da argila pura é Al2O3 -2SiO2 -2H2O.
Existem muitas formas de classificar a argila: segundo sua origem: primárias ou secundárias; segundo sua plasticidade, em gordas ou magras; podemos também falar em argilas refratárias, argilas de cerâmica compacta, argilas de bola, e outras.
Em particular usamos esse termo como sinônimo de barro ou massa cerâmica.

Obtemos Argilas Coloridas pela adição de óxidos ou corantes, ou ainda de engobes de cores fortes (preferencialmente utilizados em consistência bem grossa e feitos da mesma argila que se deseja colorir). As duas primeiras maneiras são as adotadas com mais freqϋência, por implicar em menor adição de água.
Três modos de colorir a argila:
• deixar a argila secar totalmente, triturá-la e adicionar as quantidades de óxidos ou corantes desejadas. Adicionar água e esperar a absorção. Quando a argila tiver absorvido a água, devemos então amassá-la até conseguir uma cor uniforme.
• fazer uma bola com a argila e nela abrir uma cavidade. Colocar um pouco de água nessa cavidade e dissolver o óxido ou corante nela. Amassar a bola até obter uma cor uniforme.
• preparando previamente um engobe bem grosso com a cor desejada e misturando-o à argila da maneira descrita acima.
As maneiras mais comuns de trabalhar com argilas coloridas são:
• juntando pedacinho por pedacinho num molde, usando o torno ou usando a técnica de placas.
• Quando trabalhamos com um molde de gesso, enchendo-o com vários pedacinhos ou bolinhas de diversas cores, devemos ter o cuidado de forrar o molde com um pano úmido, e usar a ponta dos dedos, ou um pilão, para que os pedacinhos não grudem demais no molde. Isto une os pedacinhos/bolinhas e os pressiona de encontro à parede do molde.
• Trabalhando no torno, usamos uma bola de argila de diferentes cores e o resultado a que chegamos é o que chamamos de “espiralado” ou “marmorizado”.
• Resultado semelhante, “marmorizado”, pode ser obtido com a técnica de placas, se juntarmos aleatoriamente pedaços de argila de diferentes cores, amassando com a mão até formar uma bola multicor. Depois de pronta esta bola, devemos então passar o rolo nela para obtermos uma placa, modelando como desejarmos. Podemos também dar à “bola multicor” o formato de um bloco, achatando-a, formando quatro lados, até chegarmos a uma forma de “paralelepípedo”, que será então fatiada.

Observações gerais:
• corantes em quantidades menores do que 5% (em relação à quantidade de argila) resultam em cores fracas, esmaecidas.
• não manuseie os corantes sem usar máscara ou respirador.
• alguns corantes são tóxicos. Não raspe as peças quando elas estiverem secas, pois isto gera um pó fino que contém corantes e não deve ser inalado.
• use luvas de borracha quando misturar os corantes à argila, e enquanto estiver amassando a argila colorida.
• devido à toxicidade de alguns corantes, muitos ceramistas preferem trabalhar com óxidos, especialmente em peças utilitárias, que devem ser obrigatoriamente revestidas de um esmalte transparente.
• nenhuma comida ou bebida deve entrar em contato com os corantes ou com a superfície de uma peça que não leve esmalte.
• para melhores resultados com a modelagem em argilas coloridas é aconselhável o uso de massas de boa qualidade plástica.
• é possível usar diferentes argilas numa mesma peça, desde que sejam compatíveis.Isto evitará resultados indesejáveis, como rachaduras, separação das partes, bolhas de “cozimento” etc.
• quanto mais clara a argila a ser colorida, mais viva será a cor. Usando barro vermelho ou marrom, as cores serão escuras.
• evite sempre comer ou beber no ateliê, mesmo que não esteja trabalhando com corantes.
Nota:
Texto de Regina Simas, ceramista brasileira que reside e possui ateliê nos Estados Unidos, onde dá aulas, produz e comercializa peças.
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