Ceramista Mônica Falcon

Cerâmica de Alta Temperatura

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Rakú

Ao termo RAKU pode-se dar o significado de: Alegria, prazer, satisfação, felicidade, libertação ou tão simplesmente o prazer em trabalhar esta técnica de cerâmica.
A cerâmica Raku desenvolveu-se na segunda metade do século XVI e é considerada a essência da cerâmica japonesa. A técnica do Raku envolve o processo de modelagem,esmaltação e queima das peças (taças, bules e poncheiras) que se utilizam durante a cerimônia japonesa do chá .(…)
Estas peças possuem características especiais de cor e textura, que as destinguem de qualquer outra cerâmica, confeccionando-se com argilas que podem resistir a choques térmicos muito fortes. Para isso tem de possuir uma grande percentagem de chamote (entre 10 a 50%), compõem-se de argilas refratárias e de outros materiais utilizados em pastas de altas temperaturas, como o grés.Os materiais com que se podem preparar as pastas são: argila (argilas refratárias e plásticas), caulino chamote, feldspato, sílica e talco, entre outros.As argilas refratárias, o chamote e a sílica proporcionam á pasta e, em conjunto com o talco, suportar o choque térmico que se produz no momento em que se retira a peça do forno e se esfria mediante a sua introdução em água ou quando se deixa ao ar.

A resistência ao fogo vem da percentagem de caulino, feldspato e sílica. As argilas plásticas favorecem o processo de modelagem. Pode se utilizar também as pastas de grés, preparadas, ás quais se deve adicionar, caso não a integrem, a percentagem adequada de chamote. Se na preparação ainda for adicionado talco, em cerca de 5%, a pasta terá menor contração.
Os fornos de Raku não devem ser muito grandes e podem ser elétricos, a gás, a carvão ou a lenha. É preferível que possuam uma porta frontal, na medida em que as extrações das peças se torna muito mais cômoda em comparação a um forno que possua porta na parte superior.
A técnica do Raku possui dois sistemas de realização. Um, em que a peça se modela à mão, se aquece em torno do forno e, quando está seca, é esmaltada, consiste numa mono-queima. Depois deste processo, introduz-se a peça no forno, que estará a uma temperatura de não muito alta e que deve subir muito lentamente. Quando se verificar que o esmalte já se encontra fundido, extrai-se com  tenazes compridas de ferro (com cerca de 70 a 90 cm de comprimento), e deposita-se num recipiente com água ou em serragem, papéis, ervas, folhas, pequenos ramos, aparas de madeira, palha, trapos… e fecha-se hermeticamente. Estes materiais, em contato com a peça incandescente, queimam-se, produzindo uma atmosfera redutora, que influirá tanto na argila como no esmalte. Este processo pode demorar entre 5 a 15 minutos, depois interrompe-se este processo e extrai-se a peça, colocando-a num recipiente com água, que a esfriará rapidamente, podendo também ser deixada ao ar.
Temos que considerar a a  cor da argila, os esmaltes se destacarão melhor com argilas de cor branca após a queima.
Os esmaltes são de baixa temperatura e podem ser preparados á base de chumbo ou com outras fritas alcalinas. Podem ser aplicados por quase todas as técnicas (pincel, derrame, mergulho ou á pistola). As cores são feitas com óxidos. Os mais usados são, cobre, estanho e cobalto. Destes o que melhor resultado produz em redução é o cobre, que permite obter uma cor avermelhada se a redução for bem feita. Também se pode tirar partido do efeito que o esmalte faz ao esfriar.

Os resultados são sempre uma surpresa, momentos de confraternização entre ceramistas e um motivo a mais para reunir os amigos em torno de um bom forno à luz da lua. Retirar as peças incandescentes na escuridão da noite é um momento mágico.
Se vc. tiver interesse em conhecer a técnica e participar de um evento de Rakú, entre em contato comigo; no segundo fim de semana de cada mes abrimos nossos fornos para esta queima.

Mônica Falcon